Mobile TV Digital: uma tecnologia em busca de um modelo de negócio.

clock 28/02/2011 TOON-pe


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Quanto mais estações começam a fazer radiodifusão de parte do seu espectro de TV digital para os dispositivos móveis nos Estados Unidos, (cerca de 70 estações até agora), a tecnologia requerida continua a amadurecer e tornar-se mais eficiente. Agora vem a parte mais difícil: encontrar um modelo de negócios viável, que possibilite um retorno sobre os cerca de U$130.000 de investimento que as Emissoras tem realizado para colocar em funcionamento os seus sistemas.
Olhando ao redor da indústria, a maioria das estações são simulcasting onde o seu principal canal de TV digital esta empenhado em descobrir se os consumidores em seu mercado estão interessados em um serviço de vídeo móvel novo. Alguns como WRAL TV, em Raleigh Carolina do Norte, estão ficando um pouco mais criativos. A emissora afiliada da CBS passou o ano passado trabalhando em um projeto que integra o seu sinal de TV digital móvel vinculado ao anuncio de exibição de comerciais locais na TV aberta, tendo agregado monitores eletrônicos montados em ônibus da cidade.

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Jimmy Goodmon, vice-presidente da CBC, New Media Group, disse que a parceria entre a sua estação WRAL TV, provedora de noticias em soluções móveis sem fio, poderia ser financeiramente vantajosa para a fornecedora de equipamentos Harris de Broadcast e também para a cidade de Raleigh . A fase beta do projeto já está acabando, e Goodmon espera ter um sistema para o mercado pronto em ônibus e outros lugares, para suportar um serviço de realidade mundial no início de 2011. Fala-se de utilizar a tecnologia GPS para alterar dinamicamente as propagandas de comerciais nos ônibus conforme ele percorre as diferentes partes da cidade com seus nichos de mercado específicos, onde o acesso de um patrocinador do comercial tem uma maior penetração. O grupo que gerencia a rede de Emissoras, a Capitol Broadcasting Company, está considerando outras formas de rentabilizar o seu sinal de TV digital móvel. Outras emissoras, como WSB TV, em Atlanta, estão usando o seu espectro móvel para as transmissões de rádio e TV (em dois canais separados).
Como um sinal de DTV móvel é baseado em IP (usando a codificação H.264 para comprimir a banda ocupada pelo sinal), outras estratégias exigem armazenamento adiantado na exibição sobre demanda, onde uma estação iria enviar um cupom eletrônico, filme de longa metragem ou outro conteúdo solicitado a um telefone do consumidor (celular ou outro dispositivo portátil) nas primeiras horas da noite e desse modo ele poderia ser visto no dia seguinte. Guias de programação eletrônica para os computadores e widgets também seriam possíveis trazer rapidamente para os usuários, para o seu destino requisitado na Internet, bem como para os patrocínios de comerciais.
No entanto, até agora nenhum destes serviços de teste foram transformados em valores financeiros, em parte devido ao fato de que há um número limitado de telefones disponíveis com os necessários chip receptor ATSC A/153 compatíveis e incorporados (no caso do Brasil o SBTVD), bem como a falta de um canal confiável de retorno que possa permitir que os consumidores interajam com o serviço e, talvez um conteúdo diferenciado da TV aberta , que ainda não foi claramente estabelecido para os radiodifusores (“este é um dos temas principais da minha tese do MBA de Gerenciamento Estratégico de Projetos onde o móbile é o principal canal de retorno por atingir todas as camadas sociais e principalmente pela capilaridade -“Requisitos e desafios no modelo de negócios e na plataforma de redes para a oferta de novos conteúdos no segmento móvel” ), embora as mensagens de SMS sejam consideradas para aplicações nos dois sentidos para operação dirigida de escolha. A outra parte inicial é desenvolver uma linha de programação diferenciada daquela que está passando na TV aberta, solicitando aos consumidores comprar um novo telefone (ou comprar um aparelho compatível para adicionar aos atuais hardware) e pagar uma taxa de assinatura mensal.  Este último está sendo experimentado na cidade de Washington, como parte de um estudo dos consumidores, o qual está sendo organizado pela Open Mobile Video Coalition (OMVC), um conjunto de 32 grupos de redes que representam 875 emissoras. O ensaio é composto de nove emissoras locais de TV digital que uniram o seu espectro para oferecer um total de 23 canais para eles. Este é um modelo a ser perseguido em outras partes do país para o lançamento comercial em 2011.

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Após ser disseminado no mercado de Washington, com centenas de dispositivos incluindo telefones celulares Samsung, computador netbook Dell, DVD players portáteis da LG Electronics e acessórios externos, que aceitam um sinal de TV digital móvel, o grupo liberou primeiramente os resultados que fornecem aos consumidores o que eles estão dispostos a assistir como as notícias locais (dois a três minutos de intervalo no total), mas também episódios de TV na sua totalidade. Anne Schelle, diretora executiva da OMVC, fez uma apresentação das observações durante a recente Conferência Mundial das Comunicações & Conteúdos em Nova York. Ela disse que espera que “muito mais” estações devem estar no ar com um sinal de DTV móvel em 2011. Além da propagação do sinal DTV móvel, o teste na cidade de Washington (feito através da Rentrak) também tem fornecido algumas analises principais de medições de audiência, incluindo a tecnologia de GPS de captura para ver onde e quando os participantes estão usando seus celulares para assistir televisão. A resposta dos participantes foi positiva, com muitos dizendo que eles usam o serviço pelo menos uma vez por dia, fora de suas casas. Curiosamente, terça-feira foi o dia mais popular em termos de minutos de uso e as noticias locais foi o mais popular conteúdo visto. “Os resultados que estão sendo coletados no teste realizado na cidade de Washington são muito animadores em termos do valor que as emissoras trazem para este serviço que esta sendo desenvolvido”, disse Schelle.
Há um fundamento basico (gratuito) no nível da programação das emissoras locais e para a categoria dos programas nobres que as redes mostram como o Discovery, MSNBC, Fox News Channel, Sportsnet Comcast, MTV (Viacom) e outros. Os programas nobres podem incluir tecnologia de acesso condicional para proteger contra a pirataria. No entanto, embora os testes terminem no final deste mês, tem sido algo bem sucedido em termos de uso e é difícil julgar objetivamente, pois os consumidores receberam dispositivos com chips de recepção instalados gratuitamente. Proprietários de telefones Samsung Moment foram convidados a trazer os seus telefones para que um chip de recepção sem ônus possa ser instalado. Outra questão é quando a OMVC ou outras coligações de DTV móvel dentro da aplicação, podem negociar com as operadoras de telefonia de dados nacionais, como a AT & T, Sprint e Verizon. A Sprint está trabalhando com as estações locais durante os testes na cidade de Washington, mas não se comprometeu para qualquer tipo de serviço nacional, seguir em frente daqui por diante.

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Steve Heinz da LG Electronics e John Taylor, vice presidente de relações públicas e comunicação, mostraram um aparelho de TV digital móvel no lançamento dos testes que seriam realizados na cidade de Washington. Além disso, talvez o mais importante, é que os consumidores estariam dispostos a gastar US$ 40 ou mais por mês para acessar os noticiários locais e outros conteúdos em todos os lugares em que estejam as emissoras de radiodifusão? Muitos dizem que sim, mas poucas emissoras têm uma compreensão clara do que essa fórmula mágica significa. “Estamos tentando descobrir se há um negócio e, nós pensamos que existe, mas é complicado”, disse Ron Stitt, vice-presidente de mídia digital e Internet para operações das emissoras de televisão da Fox. A rede esteve envolvida com os testes da OMVC bem como com o desenvolvimento do padrão ATSC de vídeo A/153 móvel (one seg no Brasil). “Não é uma ação que garanta o retorno, em termos de geração de receita para a TV móvel. “Stitt disse que o teste na cidade de Washington, mostrou que os consumidores estão dispostos a assistir a clipes mais curtos em seus telefones celulares. “Claramente há um público para formar ao longo da programação em dispositivos móveis”, disse ele. “Há potencial para o consumidor adotar este sistema (DTV móvel), mas montar um negócio para apoiar é que não é fácil. Há um milhão de peças móveis que a indústria tem de enfrentar. Mas os consumidores parecem estar dispostos a pagar por isso, se nós identificarmos o ponto do preço certo”.

 

Lembrando do recente encerramento do serviço nacional da Qualcomm (FLO TV), ele acrescentou: “É igualmente claro que se você não tem notícias locais como parte de seu serviço móvel, você está morto na água.” Salil Davi, vice-presidente sênior de plataformas móveis da seção de distribuição digital da NBC Universal, teve muita experiência com os serviços de vídeo móvel durante as transmissões dos últimos jogos olímpicos, bem como de outros programas, aproveitando as plataformas das operadoras AT&T e Verizon. Ele entende os desafios e sente que os radiodifusores têm uma oportunidade real de sucesso… Uma vez que encontre um modelo de negócio que apresente às suas forças. “Estamos otimistas das grandes oportunidades apresentadas pela TV digital móvel, mas é complicado agora e, há uma série de passos para chegar daqui até lá”, disse Davi. “Quando olhamos para um quadro maior, o mundo está ficando mais complicado e há muitas maneiras de as empresas de mídia como a nossa, distribuir conteúdo. No entanto, o que acreditamos ser único na TV digital móvel, é que toda esta inteira paisagem, entrega da televisão ao vivo o qual é uma proposição tecnicamente muito difícil para a execução. À medida que você esta um parâmetro acima, a distribuição da TV móvel é difícil conseguir utilizá-la simultaneamente em uma rede 3G ou 4G. Nós pensamos que os radiodifusores têm uma plataforma de distribuição inigualável para permitir que um grande número de pessoas consumisse o conteúdo de vídeo.”

 

 

Após consumidores observarem e reagirem positivamente à exibição dos sinais de notícias locais em um ônibus de transporte coletivo em torno da cidade de Raleigh, Goodmon, do Capitol Broadcasting disse que os modelos de negócio móveis em DTV irão revelar-se quando as emissoras gerarem demanda suficiente nos mercados para alertar os fabricantes de chips e as operadoras de telefonia móvel para fabricar os chips em quantidades suficientes e disponíveis com o objetivo de induzir as empresas locais interessadas em anunciar. “Todo mundo me pergunta o que achamos do modelo de negócio que é o DTV móvel”, disse Goodmon. “Há centenas de milhões de computadores, telefones celulares e outros dispositivos portáteis que agora não podem receber nossos sinais”. Todos estes dispositivos, se pendurados na parede ou não, são televisões. “Mobile DTV nos dá a capacidade para aumentar significativamente o número de pessoas que assistem aos nossos programas. É como dobrar ou triplicar os lares com televisão nos Estados Unidos. Esse é um modelo de negócio. E é só o começo.”

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por Paulo Silveira

A telefonia móvel ganhará a batalha da conectividade na América Latina?

clock 24/02/2011 TOON-pe


 

Quem já não perdeu uma vez o celular e sentiu que perdeu com ele metade da sua existência? Não é para menos, já que perder o celular significa ficar completamente desconectado e, ainda por cima, angustiado. Sobretudo se se cumprirem as previsões de alguns especialistas que prognosticam o breve desaparecimento da conexão via Web, conforme crê Roberto Musso, presidente executivo do Grupo Digevo, desenvolvedor chileno de soluções tecnológicas para dispositivos móveis.  Conforme explica Musso, isso aconteceria porque “o acesso tradicional a Internet pela Web ou via browser tornou-se arcaico e estático se comparado à experiência de se conectar através de um smartphone, cujos recursos móveis são muito atraentes graças, entre outras coisas, à sua tela sensível ao toque e aos seus sensores de movimento”.

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Em outras palavras, o que está mudando é a forma como consumimos os conteúdos da Web, observa Lioubov Dombrovskaia, professora do Departamento de Informática da Universidade Técnica Federico Santa María. Ela acrescenta que se antes consumíamos informações através de um computador estacionário, esse consumo agora se diversificou e é feito por outros meios como, por exemplo, “os computadores móveis, os consoles de videogame e, em breve, pelo próprio aparelho de TV. A telefonia celular tem um papel extremamente importante na diversificação do consumo”.

Dombrovskaia vai ainda mais longe e prevê que a telefonia móvel será a principal forma de acesso a Internet entre os usuários latino-americanos. Isto porque “a penetração da telefonia celular na região alcança atualmente 90% da população, ao passo que o alcance da Internet fixa é de apenas 35%”, assinala.

De acordo com um estudo recente da consultoria Wireless Intelligence, de Londres, a telefonia móvel tem atualmente 530 milhões de assinantes na América Latina, mais do que a Europa Ocidental, que tem 430 milhões de assinantes. Portanto, a América Latina é o segundo maior mercado de telefonia celular do mundo depois da região da Ásia-Pacífico, graças ao crescimento observado no Chile e na Argentina, onde há mais celulares do que pessoas.

Outra razão pela qual a telefonia celular desbancará a conexão via Web na região, observa Dombrovskaia, se deve ao fato de que o telefone móvel tem um custo menor se comparado ao computador, motivo pelo qual “muitos fabricantes começaram a subsidiar os smartphones na região, o que permitirá aos usuários ter acesso a celulares mais avançados e conectados a Web”.

Embora Jorge Villalón, professor da Faculdade de Engenharia e Ciências da Universidade Adolfo Ibáñez, reconheça que o preço de um telefone móvel é, em média, de US$ 20, ao passo que um notebook custa US$ 300, e um iPad US$ 500, para ele, “não está provado que os usuários latino-americanos prefiram se conectar a Internet pelo celular a fazê-lo através de um notebook ou de um iPad”. Isso é o mesmo que acreditar que uma boa história é mais bem contada em um filme do que em um livro. “O surgimento do cinema”, diz ele, “não afetou o mercado de livros; pelo contrário, o mercado de livros continuou a crescer”.

É o que pensa também Carlos Castro, professor do Departamento de Informática da Universidade Técnica Federico Santa María de Valparaíso, no Chile. Castro diz que a conexão através do computador continuará a ser a melhor solução para o trabalho no escritório e no lar, uma vez que a conexão a cabo é mais rápida do que a conexão sem fio do telefone celular.

Resumindo, o tráfego de informação proporcionado pela telefonia móvel ainda é muito limitado, salienta Samuel Varas, professor da Faculdade de Engenharia e Ciências da Universidade Adolfo Ibáñez, “e é por esse motivo que hoje nenhum usuário pensa em baixar um filme no seu aparelho celular”.

O rápido desenvolvimento das lojas de aplicativos

Sem dúvida, o hardware dos aparelhos móveis apresenta várias fragilidades se comparado a outros dispositivos móveis, observa Alejandro Mellado, professor da Escola de Engenharia de Informática da Universidade Católica de Temuco. Ele explica que esses aparelhos têm baixa velocidade de processamento, pouca memória, tela de baixa resolução e interfaces de entrada e saída não muito amigáveis. “Contudo, os fabricantes de telefones móveis recorreram à criatividade para superar essas dificuldades de funcionamento desenvolvendo aplicativos atraentes para os usuários, que são também fáceis de usar”, diz.

De fato, hoje em dia as marcas contam com lojas de aplicativos, ou App Stores, que permitem ao usuário baixar aplicativos grátis ou pagos pelo celular. A OviStore, da finlandesa Nokia, por exemplo, conta com mais de 18.000 aplicativos, observa Anthony Yorston, gerente de serviços da Nokia Chile. Ele acrescenta que “os usuários latino-americanos que mais fazem downloads na Ovi são os mexicanos, argentinos, chilenos, costa-riquenhos, venezuelanos, equatorianos, colombianos, peruanos, guatemaltecos e paraguaios”. Yorston destaca que um dos aplicativos gratuitos mais baixados por esses usuários é o eBuddy Mobile Messenger, que permite gerenciar as contas do Facebook e do Twitter através de um único aplicativo.

A Samsung é outro fabricante que aderiu a essa estratégia. Por meio da Samsung Apps, a empresa oferece aos usuários 2.700 aplicativos grátis ou pagos, observa Alex Chauriye, gerente de produtos e serviços da Samsung Telecom do Chile. “Além disso, nossa nova linha de smartphones vem com sistema operacional Android”, diz ele, “que permite ao usuário acessar a loja Android Market, do Google, que conta com mais de 50.000 aplicativos para download gratuito”.

O desempenho do BlackBerry também não fica atrás, uma vez que o App World registra uma média de 1,5 milhão de downloads por dia no mundo todo, observa Matías de la Cruz, gerente sênior de Alianças da Research in Motion para o Cone Sul. Ele explica que um dos aplicativos prediletos dos usuários é o BBM (BlackBerry Messenger), “uma ferramenta de mensagem instantânea que hoje é utilizada por 25 milhões de usuários dos nossos smartphones”.

Dessa disputa acirrada não podiam estar ausentes as lojas Marketplace, do Windows, e AppStore, da Apple, sendo esta última dispõe de mais de 300.000 aplicativos. De acordo com dados da empresa de pesquisas sobre tecnologia IDC, a AppStore registrou 10,9 bilhões de downloads no mundo todo em2010.

Círculo virtuoso

Sem dúvida, as lojas de App Store cresceram, e continuam a crescer, graças à incorporação de desenvolvedores, pelos fabricantes, ao seu modelo de negócios.

Para Dombrovskaia, o modelo da App Store criou um círculo virtuoso entre o fabricante, o desenvolvedor e os usuários, “uma vez que o fabricante descentraliza o desenvolvimento dos aplicativos, compartilhando os lucros com os desenvolvedores que, por sua vez, se encarregam de atender às necessidades cada vez maiores dos usuários, tanto na esfera do entretenimento quanto de negócios”. Portanto, diz Dombrovskaia, os usuários se beneficiam da grande disponibilidade e da variedade de aplicativos, cujo custo é baixo nesse modelo.

Pode-se ver um exemplo claro disso no que fez recentemente o desenvolvedor chileno Grupo Digevo. “Tomamos como referência a Apple”, observa o presidente da empresa, Roberto Musso, “e juntamente com a Universidade Federico Santa María, desenvolvemos um aplicativo para o iPhone batizado de Mobile Sommelier, dedicado aos apreciadores de vinho”. Esse aplicativo, diz ele, oferece um catálogo completo de produtos com sua respectiva combinação, bem como notícias do mundo do vinho, ofertas e promoções.

Além disso, o Mobile Sommelier pega a avaliação que o usuário fez de um vinho recém-degustado e a insere em seu Facebook, de modo que ele possa compartilhá-la com os amigos, observa Musso. “O aplicativo conta também com um Sommelier Virtual que recomenda vinhos ao usuário pelo smartphone com base em sua própria avaliação e gosto.”

O alto custo do serviço

Embora as App Stores tenham se convertido em uma espécie de paraíso, tanto para os fabricantes quanto para os usuários, Castro adverte para o fato de que o custo dos planos de voz e dados para telefone celular na América Latina é elevado em comparação com as tarifas cobradas nos países desenvolvidos. Para ele, essa seria a principal barreira para que o telefone móvel se consagre como o principal meio de conectividade entre os usuários da região.

De acordo com o estudo “Tarifas e gap de acessibilidade dos serviços de telefonia móvel na América Latina e no Caribe”, do pesquisador e professor associado na área de tecnologia da Universidade de San Andrés Hernán Galperin, publicado em 2010, o custo médio do serviço de telefonia celular na América Latina é de US$ 24, valor que é o dobro do custo médio dos países da OCDE (US$ 13), e mais do que o triplo nos mercados do sudeste asiático (US$ 7). De igual modo, o estudo mostra que o Brasil é o país de tarifas mais altas, com um custo médio de US$ 45, vindo em seguida Honduras (26,5), Uruguai (US$ 22), México (US$ 20) e Argentina (US$ 19,2).

O estudo também conclui que os altos preços da telefonia móvel na região se devem, sobretudo, ao alto nível de concentração dos mercados e à enorme carga tributária sobre o serviço. “Para baixar as tarifas”, segundo o estudo, “é preciso aumentar a concorrência no setor mediante, por exemplo, a introdução da portabilidade numérica (isto é, a possibilidade de conservar o mesmo número de telefone, caso o usuário queira mudar de provedor)”.

Dombrovskaia está de acordo com as conclusões do estudo e diz que o custo dos planos na América Latina baixará à medida que a tecnologia celular evoluir e melhorar.

Castro, porém, acrescenta que há outro obstáculo relacionado à qualidade da infraestrutura de comunicações da região. “Hoje, não é difícil alcançar níveis de saturação nas comunicações móveis; portanto, é preciso fazer investimentos para melhorar a rede de infraestrutura.”

Futuro da telefonia celular na região

Embora Mellado reconheça que há certas tarefas que ainda não podem ser realizadas no telefone móvel, como manter um blog, o professor acredita que os fabricantes continuarão a aprimorar o software e o sistema operacional.

Dombrovskaia é ainda mais otimista e prevê que, no futuro próximo, os usuários da região terão acesso a celulares mais baratos, com telas melhores, baterias de maior duração e com interfaces mais amigáveis para a navegação na Web.

Com relação aos fabricantes, a professora crê que haverá no mercado de aplicativos para telefones celulares uma disputa de nível mundial a curto prazo, e que se dará em dois planos: “Em relação ao domínio dos sistemas operacionais dos telefones (iPhone OS, Google Android, BlackBerry OS, Symbian da Nokia e Win7 Mobile da Microsoft); e, em segundo lugar, em relação as App Stores que concentrarão as maiores vendas entre os usuários”, diz.

Além disso, Dombrovskaia observa que é preciso levar em conta que há na região um mercado que, por seu poder aquisitivo, é muito atraente: o Brasil. “O Brasil tem uma demanda elevada e não satisfeita de produtos tecnológicos, o que levou empresas como a Nokia, Motorola, Sony Ericsson e LG a instalarem fábricas em território brasileiro. Isso deverá fazer com que o mercado local impulsione o desenvolvimento de aplicativos na região”, conclui.

por Paulo Silveira