Os Três Cavaleiros do Apocalipse

clock  15/11/2010                TOON-pe Paulo Silveira

 

Segundo uma pesquisa da Universidade de Washington, há quatro tipos de comportamento particularmente destrutivos. Ela os chama de os quatro cavaleiros do apocalipse: crítica, atitude defensiva, desprezo e alienação. Os machos alfa são mestres nos quatro. O mundo empresarial esta repleto de “Machos Alfa” e de “Líderes”, verdadeiros cavalos de força que assumem o controle,  produzem resultados espetaculares e trazem imenso valor para a Empresa quando a ética e a moral estão alinhados com as suas ações. No entanto muitos alfas tornam-se os “Cavaleiros do Apocalipse” deixando um rastro de destruição por onde passam. Sua liderança magnética inspira respeito e medo, assim como as suas táticas agressivas geram resistências e ressentimentos; eles são louvados algumas vezes por suas realizações, mas odiados pela carnificina que deixam por onde passam. Acrescente-se a isso a tendência que os alfa tem de pensar que devem ter tudo o que querem, e temos um cenário perfeito para dramas que podem destruir carreiras, enfraquecer líderes poderosos e colocar organizações inteiras em situações de turbulência e ruptura. Esses falsos líderes “carga pesada” podem por vezes pisar nos colegas e funcionários, prejudicando suas carreiras  e os resultados da Empresa.

Os machos alfa possuem muitas “Máscaras.” Podemos comparar essa máscara a um conjunto de roupas que se pode vestir ou tirar conforme a necessidade. Ter um guarda-roupa variado torna-se muito útil, mas os problemas surgem quando inconscientemente eles vestem o traje errado para a ocasião, como aparecer num bar country vestindo um smoking, ou, ao contrário, ir a um casamento formal usando botas de caubói. Vestir-se de forma imprópria para a ocasião pode causar muitos problemas, mas imagine se eles dessem um passo adiante e agissem de acordo com a roupa, valsando quando todo mundo estivesse dançando no modo country, ou vice-versa. É isso o que acontece quando eles vestem máscaras que não combinam com as circunstâncias: apresentam para o mundo uma face inadequada e agem como se aquela máscara fosse a correta para as circunstâncias. Quando as pessoas reagem àquela máscara imprópria, os problemas aumentam como uma bola de neve.

Da mesma forma que o cigarro constringe as artérias e se manifesta numa série de sintomas, os fatores de risco associados aos machos alfas constringem o fluxo de energia, de informações e de criatividade na organização, causando danos que se pode manifestar de forma localizada e sistêmica. Um padrão comum é uma armadilha mortal que denominamos triângulo alfa. Como dizia Shakespeare, todo local de trabalho é um palco e todos os machos alfas são meramente atores. Pense no triangulo alfa como um tema dramático que se desenrola em diferentes variações, dependendo de quais tipos de alfa estejam representando os três papéis principais. Ele é composto de três lados: vilão, vítima e herói. Cada personagem reforça os outros dois: o vilão culpa, a vítima choraminga e o herói conserta. Cada um busca compensação específica: vilões obtêm poder, vítimas obtêm simpatia e heróis obtêm reconhecimento. Como vilões a intenção nobre dos machos alfa é permitir que as coisas sejam feitas com eficiência e bem, mas buscam esse objetivo usando instrumentos toscos. Eles  pensam que estão ajudando as pessoas a desempenhar melhor o seu trabalho, mas suas vítimas não se sentem ajudadas; elas se sentem incompreendidas, maltratadas, não reconhecidas, e talvez até violentadas. Para completar o triângulo alfa, alguém precisa assumir o papel de herói e consertar o estrago, talvez tentando acalmar o vilão ou se solidarizando com as vítimas. Na maioria das organizações não faltam atores para o papel.

Uma famosa consultoria de coach em Nova York descreveu a saga de um importante Diretor de Telecomunicações cujo cliente ela referencia como “Bipolaris.” Um executor alfa de grande prestigio, com grande capacidade de ir a fundo aos problemas, identificar suas causas e rapidamente encontrar soluções perfeitas que inspiravam respeito e admiração. Ele era famoso por fazer seu pessoal “comprar” objetivos impossíveis e atingi-los. Era também conhecido como um assassino silencioso. Quando Bipolaris via algo que não gostava, o que era freqüente, ele lançava olhares furiosos e disparava: “Isso não podia estar mais errado” ou “Essa é a coisa mais idiota que eu já ouvi”. Para redimir Bipolaris e seus modos destruidores do moral do pessoal, um dos Vices Presidentes reanimava as vitimas e restaurava a sua auto-estima. Como normalmente acontece porem, o controle de danos do herói na verdade perpetuava o problema, porque dava a Bipolaris menos incentivos para mudar seus modos. O resultado era uma ironia mágica a que chamamos de lodo de alfa. Os machos alfas são programados para realizar e vencer, mas quando viram vilões do triângulo, eles criam tanta inércia que é como se todo mundo estivesse com os pés presos na areia movediça. Conforme o lodo se espalha, a motivação enfraquece, o trabalho em equipe acaba e o desempenho despenca.

Como nos filme de Hollywood, os vilões aparecem em formas e tamanhos variados. Cada um dos quatro tipos de alfa tem seu próprio padrão de comportamento vilanesco, cada um dos quais tem suas raízes na agressividade, competividade e necessidade de dominar encontrada em todos os machos alfa doentios:

4

· Vilões comandantes exigem extrema lealdade e subserviência. Eles precisam ser o numero um e todo mundo precisa estar abaixo deles.

 

Bipolaris

5

· Vilões visionários acreditam que num futuro brilhante e luminoso que nenhuma outra pessoa consegue sequer vislumbrar. Eles sugam os outros para dentro do rastro do seu jato e, quando eles percebem, já estão a beira do precipício.

                                                                                                     SunTzudebians

2

Vilões estrategistas são valentões intelectuais que pensam ter todas as respostas. Eles acham que todo mundo é idiota e dizem a todos.

 

                                                                                           Professsusmarketis

· Vilões executores são verdadeiros cricris, sempre atrás das pessoas olhando o que elas estão fazendo, dizendo o que elas devem fazer e como elas devem fazer.

Machos alfas tipicamente oscilam entre vilão e vítima: eles intimidam as pessoas e as levam quase as lagrimas e depois sentem dó de si mesmos por ter de lidar com gente tão incompetente. Às vezes eles assumem o papel duplo de vilão-herói para conseguir apagar o incêndio. Muitos deles são designados como líderes de grande potencial. Essa sagração pode rapidamente degenerar na síndrome do “líder de ouro”, na qual eles acreditam que são dotados de qualidades divinas e não tem necessidade de mudar. Conforme avançam na carreira, inflados com as próprias vitórias, freqüentemente não conseguem enxergar os “descarriladores” interpessoais que são óbvios para o restante do mundo e que acabarão levando a sua própria queda. “Eles não percebem que as habilidades que os levaram as finais não bastam para que eles ganhem o campeonato.” Em outras palavras eles não entendem que aquilo que os trouxe até aqui não os fará chegar lá. O antídoto para a “Síndrome do Macho Alfa” é olhar-se no espelho todos os dias, refletindo sobre a sua vida e seu comportamento. A iniciação começa numa jornada para mudar o mundo, mudando primeiramente a si próprio. “Quando a coisa fica dura demais, os durões tocam a coisa” poderia ser o lema dos comandantes alfas. Quando seu saudável apetite pela vitória cruza a linha do bom senso e da civilidade, os comandantes alfas sintetizam a famosa máxima de Vince Lombardi: “Vencer não é tudo, é a única coisa”. Eles vêem a todos como competição não apenas como oponentes reais como empresas rivais, mas também seus colegas, outros departamentos de sua própria organização e até mesmo seus colegas de equipe. Amigos tornam-se inimigos; colegas de equipe tornam-se rivais. Eles precisam ganhar a Supercopa e o premio de Melhor Jogador. Eles precisam vencer a guerra e encher o peito com mais medalhas que todos. Eles precisam superar os seus objetivos profissionais e ganhar o maior bônus. Em sua pior versão os comandantes alfa precisam não apenas vencer, mas dominar. Eles não só lutam até a morte, como comem a oposição de almoço porque os seus talheres são sempre guardados pelo grupo dos medíocres e incompetentes que fazem o jogo do poder para preservar o seu emprego, alem de fomentar a discórdia. Enquanto líderes podem ser duros e conquistar respeito, mas possuem um estilo dominador e engendram desconfiança, ressentimento, desprezo e até retaliação. Para esses comandantes alfas que vêem o mundo como uma selva de soma zero, onde todo mundo é implacável como eles próprios, vale tudo, incluindo enganar, trapacear mentir e cortar a cabeça dos outros para que eles próprios pareçam mais altos. Quando dirigem essa atitude para aqueles que deveriam ser seus aliados, eles causam grandes danos internos às organizações. Para piorar, muitos comandantes alfas tem alergia a pedir ajuda. Se, na sua cabeça você é um Mike Tyson, você não ira querer dar ouvido a eles. E se você acha que é perigoso demonstrar qualquer sinal de fraqueza, perde uma das melhores habilidades de influenciação da liderança: a capacidade de se abrir. Como conseqüências as dificuldades se arrastam e acabam afetando outros grupos. O resultado é uma cultura de cada um por si marcada por uma conformidade que freqüentemente acaba degenerando em desobediências; pessoas que se sentem maltratadas por comandantes belicosos encontram maneiras sutis de os prejudicar e indiretamente as organizações. Muitos deles parecem passar a vida assobiando a melodia “O que quer que você faça, posso fazer melhor.” Obcecados por rivalidades triviais eles põem em risco seus objetivos mais dignos (valores diferenciados na vida profissional e pessoal) com esquemas movidos pela inveja. Como chefes, eles costumam criar disputas entre funcionários porque adoram o espetáculo de gladiadores vestidos a caráter lutando até o fim.

Os muitos lideres como o “Bipolaris, SunTzudebians, Professsusmarketis ” que estão espalhados em varias organizações criam ambientes de trabalho que misturam Dinastia com Centro de Esportes, fomentando a paranóia, a maledicência, e a fofoca generalizada, juntamente com constantes comentários sobre quem esta em que lugar no placar. A brutalidade emocional derruba o moral da organização, departamentos, etc., estimulam a auto-preservação em lugar do trabalho em equipe, a colaboração e o consenso como coisas de fracotes, sem graça e devagar demais. Eles humilham seus rivais em publico; chegam até a mutilar suas próprias equipes ao tornar a traição o ato de compartilhar informações com outros grupos dentro da organização. Numa atitude de autodefesa, os colegas que querem colaborar com eles acabam se retraindo. O resultado é um dos principais dilemas dos comandantes alfa: eles querem desesperadamente se por a frente dos colegas, mas quando se tornam excessivamente competitivos, não conseguem avançar. Por quê? Porque não conseguem ir adiante se seus colegas mais fortes não querem trabalhar para eles. Aqueles que foram apunhalados pelas costas ou manipulados pelo comandante temem que ele irá sempre atrás de ser o numero um e não fará justiça aqueles que contribuíram para o sucesso. Eles pensam: “Se ele for promovido o meu lugar já era.”. A competição incansável dos comandantes alfa cria um dos maiores ralos de energia corporativa: a guerra por território. O gerente A se pega com o gerente B para decidir quem faria o melhor trabalho em determinado projeto. Enquanto isso o gerente X recusa-se a compartilhar dados com o gerente Y porque fez conchavos com o gerente B. A mensagem é a seguinte: “Você esta em meu território. Fique longe daqui.” Nos piores casos, o resultado reflete a natureza: enquanto membros do mesmo bando lutam pelo domínio ou fazem coligações com grupos dissidentes, outro bando ataca e assume territórios.

Para os verdadeiros comandantes (líderes), a responsabilidade pessoal é um valor supremo, e eles a levam até o limite. Nas organizações entrelaçadas e matriciais de hoje, os líderes precisam inspirar um senso de responsabilidade em todos, inclusive nas pessoas que não se reportam a eles. Na falta de controle total eles não podem simplesmente “ordenar” a assunção de responsabilidade pelo resultado. Embora, em tais circunstâncias, alguns lideres culpem os outros por seus problemas ou façam políticas para proteger seus interesses, o “Líder” ocupa o vácuo e assume o controle. Pelo fato de exercerem poderosas habilidades de influencia, suas ações geram efeitos intermináveis como os círculos concêntricos que se formam na água. Embora alguns líderes tenham capacidade de relacionamento interpessoal melhor que os outros todos eles são motivadores de primeira classe, usando a combinação certa de meritocracia. Comandantes de alto nível combinam também firmeza com calor humano. Eles irradiam empatia e assertividade “Pode deixar que eu protejo você.” “Ele se preocupa com você até mesmo quando discorda de você.” “Ele se dá ao trabalho de ajudar em áreas nas quais normalmente não se esperaria a ajuda de um chefe” “Ele não dá uma de amigão do peito, mas gosta genuinamente das pessoas, e elas sentem isso. Ele é duro, mas se preocupa com todos” “Ele sempre pergunta como estou e parece genuinamente interessado. Ele se relaciona com as pessoas.” Com líderes assim, as pessoas acatam as ordens, enfrentam riscos e se empenham para dar mais de si. Aqueles que acrescentam uma dose saudável de carisma a mistura tornam-se comandantes dos comandantes. Quando os comandantes estão no pleno comando de sua alma e de seu talento, sua vontade de vencer é balanceada por uma altíssima integridade. Pelo fato deles recompensarem de forma justa os membros leais e esforçados de sua equipe e os defenderem quando estão sobre ataque, muitos comandantes são respeitados mesmo quando as pessoas não têm particular afeição por eles. Eles sabem que é importante ser correto e ético, e dão a essas virtudes a mesma importância que dão a sua eficiência e produtividade. Eles tem uma integridade inacreditável e isso faz com que as pessoas trabalhem com mais empenho, porque sentem que sua contribuição fará a real diferença. Para muitos a integridade vai muito alem  de suas equipes e organizações, e talvez até de sua família. Quer sua causa seja contribuir pela justiça social, aumentar as oportunidades econômicas em sua comunidade local e ser um defensor do meio ambiente, eles esperam deixar um legado valoroso. Muitos dos maiores líderes sociais e filantrópicos eram tão fiéis a sua própria moral quanto o eram a de suas empresas. Em conjunto essa constelação de traços inspira a lealdade e a confiança dos outros. É por isso que comandantes “Líderes” chegam ao topo e la permanecem – a menos que essas forças formidáveis tornem-se suas maiores fraquezas.

por Paulo Silveira

Um comentário em “Os Três Cavaleiros do Apocalipse

  1. Paulo,
    Muito interessante o seu artigo “os 3 cavaleiros. . “.
    Lidar com esses aspectos comuns nas mais variadas culturas corporativas é sempre um grande desafio.
    Grato por esse conhecimento.
    Abraço
    Carlos Camacho

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